MEDICINA POPULAR
Por mais elevada que seja a cultura do povo, sempre
nos seus costumes, crenças e tradições irão
se encontrar vestígios de épocas rudimentares em
que se foram organizando as formas superiores da sua existência.
Tal fato explica a permanência da Medicina Popular, conjunto
de conhecimentos e crenças criados pelo povo, universo
repleto de mitos, ritos, agouros e superstições.
Todos os povos da humanidade tiveram, no início
de sua existência, grandes privações e duras
necessidades. A alimentação, o vestuário
e a doença sempre foram as carências primordiais
e as necessidades que mais exigiam ocupações de
homens ainda desprovidos de expedientes. Os primeiros recursos
contra a doença humana nasceram justamente no seio desses
homens rudes que, ma luta pela sobrevivência, foram buscar
a cura inicialmente nos seres que os circundavam: os vegetais.
E como obtiveram bons resultados, devolveram suas observações
e foram levador a criar uma prática médica, para
conhecer e distinguir o que lhes era útil ou noviço
no mundo dos vegetais.
O primeiro passo da pesquisa científica
estava dado. O gênio inventivo de cada um foi-se transmitindo,
de geração em geração, com observações
acumuladas, que foram aperfeiçoando e alargando o campo
do conhecimento da doença humana e dos recursos para combate-la.
[...]
[...] A medicina popular, no entandom não
se resume na utilização de folhas, raízes
e cascas em forma de banhos ou infusões com o objetivo
de curar doenças. As simpatias e a religião cumprem
papel fundamental na eficácia desses tratamentos. Toda
aplicação de recursos materiais ocorre num terreno
essencialmente mágico, na medida em que, para a medicina
popular, as plantas não curam por causa das substâncias
neas contidas, mas principalmente pelas virtudes anímicas,
isto é, porque as plantas são entidades que curam
doenças.
As propriedades farmacêuticas das drogas
estão diretamente ligadas a um universo religioso onde
se encontra a explicação do fenômeno. Por
esse motivo, o tratamento sempre obedece a um ritual, no qual
são observadas as fases da lua, a posição
da raiz com relação ao sol, as estações
do ano e outras recomendações. No ritual da cura
pela Medicina Popular, não se separam corpo e alma. Muitas
vezes, utilizam-se rezas visando à cura do corpo e também
do espírito enfermo. Boa parte desses tratamentos são
empregados para curar doenças; outros para estancar sangue
numa ferida ou casos em que a pessoa se engasga, sente dores diversas,
necessita eliminar vermes e ainda muitos outros males...
Período
Menstrual
Durante este período, a mulher era considerada “impura”,
e deveriam observar regras especiais:
- A mulher não deveria lavar os pés e de uma maneira
geral abster-se de lavagens corporais.
- Não poderia amassar a broa (pois esta não levedaria).
- Não podia comer azeitonas.
- Não poderia entra nas adegas onde se estivesse a fazer
o vinho (pois este estragar-se-ia).
Gravidez
- Quando estavam grávidas, as mulheres não podiam
trazer chaves, alfinetes nos bolsos, pois a criança nasceria
com um sinal ( no lado em que a mãe trouxesse o referido
objeto).
- Durante o tempo de amamentação a mulher não
deveria ficar deaixo de uma figueira, pois o seu leite secaria.
- Depois do nascimento a criança não deveria sair
à rua antes de trinta dias (“ficavam um mês
abafadas”).
- A criança não deveria entrar na igreja antes de
ser batizada (pois seria mal pra ela).
Dores
menstruais
Quando as mulheres sentiam muitas dores, aqueciam vinho e bebiam-no.
Também podiam fazer o mesmo com água bem quente
com bastante mel ou açúcar.
Mordida
de abelhas
Mordida de abelhas são curadas esfregando salsa e água
fria.
Tosse
coqueluche
Para esta tosse faziam um xarope, misturando açúcar
amarelo e o líquido do cacto bravo (piteira). Além
do xarope deveriam as pessoas, antes do nascer do sol, ir durante
meia hora/um quarto de hora para os pinhais ou então estar
durante o mesmo tempo num curral de bois respirando o bafo dos
animais.
Feridas
Pisavam folhas de violeta e colocavam em cima da ferida depois
de ter desinfetado a mesma e utilizavam uma folha de couve bem
untada com azeite a ferver que deitavam em cima da ferida.
Dor
de dentes
Para a dor de dentes, bochechavam a boca com água ardente
e deitavam rolhos de algodão embebido em criozote (líquido
que se comprava na farmácia).
Lombrigas
Faziam um cordão de dentes de alho e deitavam à
volta do pescoço das crianças. Os adultos cheiravam
alho ou bebiam sumo de limão estreme ou vinagre.
Eczemas
Para curar eczemas, ferviam folhas de eucalipto (mimoso), bolsa
de pastor, alecrim, folas de malva e lavavam-se com essa água.
Cravos
Para tirar os cravos cortava-se uma batata ao meio e esfregava-se
bem os cravos com a goma da batata. Repetia esta operação
durante três dias. Também se podiam tirar com espuma
de água da chuva. Quando chovia muito, normalmente nas
estradas mais velhas ficavam poças de água. Nessas
opças com a força da água ficava espuma.
Então apanhavam essa espuma e esfregavam nos cravos e eles
desapareciam.
Dor
de ouvidos
A dor de ouvidos era curada com o leite materno. A pessoa a quem
doía os ouvidos ia pedir a uma mãe que andasse a
amamentar, que lhe deitasse umas gotas de leite para dentro do
ouvido, mas se o paciente fosse homem, tinha que pedir o leite
a uma mulher que amamentasse uma menina, se fosse mulher pedia
leite a quem amamentasse um menino.
Problema
nos olhos
Ferviam rosas da Alexandria e deixavam arrefecer a água
com que depois lavavam os olhos durante alguns dias.
Assadura
nos bebês
Como não tinham pó de talco, as mães utilizavam
caruncho para polvilhar as assaduras.
Ameba
Tomavam, durante trinta dias, em jejum, um copo de água
fria com três gotas de creolina.
Asma
- Tomar chá feito com enxerto-de-passarinho;
- Fumar um cigarro feito com folhas secas de zambumba;
- Comer testículos de porco assados e servidos sem sal;
- Tomar fel de boi misturado com um pouco de cachaça;
- Tomar chá feito com um chocalho de cobra cascavel;
- Tomar chá de “olho” que fica na pena do pavão.
Azia
Beber um copo d´água no qual foram colocados três
pitadas de cinza fria.
Bicho
de pé
Depois de retirado o bicho-de-pé, com auxílio de
um alfinete, encher a cavidade com sarro de cachimbo.
Calo
Quando o sapato é novo, o calo é uma certeza: colocar
sobre o calo, cera-de-ouvido.
Catapora
Para a catapora acabar de sair ou sair ainda mais depressa, nada
como tomar um chá feito de cabelo-de-milho sem açúcar.
Desmaio
-Passar, dentro do começo do nariz da pessoa desmaiada,
uma pena de galinha até a pessoa voltar a si;
- Soprar nos ouvidos e bater na sola dos pés até
a pessoa voltar a si.
Dor
de barriga
- Tomar chá feito com a moela da galinha, crua;
- Comer uma banana prata verdosa;
- Comer um pedaço de mandioca (macaxeira) branca, crua.
Dor
de cabeça
Colocar sobre a testa, uma mistura feita com pó de café
e manteiga.
Dor
de dente
- Introduzir na cárie, se couber, uma cabeça de
fósforo;
- Encher a cárie com o pó feito de chocalho da cobra
cascavel;
- Encher a cárie com sarro de cachimbo.
Dor
de garganta
Comer tanajuda torrada, se for tempo de tanajura.
Enjôo
e gravidez
Comer pombo bem assado, sem sal.
Enjôo
de viagem de automóvel
- Colocar uma castanha de caju no bolso, se for homem , ou na
bolsa, se for mulher;
- Mascar uma cabeça de fósforo.
Furúnculo
Para o furúnculo estourar por si só, nada como colocar
no “olho” da cabeça-de-prego, um emplastro
feito com couro de bacalhau cru.
Galo
na cabeça
Quando e leva uma pancada na cabeça e aparece um “galo”,
nada como fazer, sobre ele, forte pressão com a folha de
uma faca fria.
Hemorragia
Colocar, no local da hemorragia externa, para parar o sangue,
um chumaço de algodão embebecido em verniz de carpinteiro.
Hemorróidas
- Sentar num pedaço de tronco de bananeira recém-cortado;
- Colocar uma pela de fumo no local;
- Colocar compressas de querosene.
Indigestão
Chá feito com a pele que envolve a moela de uma galinha
crua.
Lombriga
Comer coco seco raspado, em jejum, até aborrecer.
Mordida
de cobra
Tomar meia garrafa de querosene e comer um prato de farofa com
bacalhau assado na brasa.
Mulher-maninha
Para que uma mulher venha a ter filhos:
- Tomar água antes de ter relações sexuais;
- Dar ao marido, todo dia, no almoço, carne de carneiro
preto, com um pouco de vinho.
Prisão-de-ventre
Tomar chá de cupim.
Queda
de cabelo
Pentear os cabelos com um pente feito de chumbo.
Soluço
Pregar um susto na pessoa que estiver com soluço.
Terçol
- Engolir nove caroços de limão durante três
dias seguidos;
- esfregar, no chão, a semente de olho-de-boi e depois
colocá-la sobre o olho onde está localizado o terçol.