Seminários
Comissão Nacional de Folclore no seminário de Olímpia
12/08/09
A palestra “O folclore como suporte para práticas educativas”, proferida
pela professora Neide Rodrigues Gomes, secretária de Cultura do
município de Bragança Paulista e vice-presidente da Comissão Paulista
de Folclore, abriu na manhã de segunda-feira, dia 10, o ciclo do
Seminário de Folclore, no Pavilhão Cultural, no recinto da Praça
das Atividades Folclóricas Professor José Sant’anna. Na programação
do dia, ainda a secretária de Cultura de Olímpia, Eliana Antonia
Duarte Bertoncello Monteiro, e a professora Cidinha Manzolli, coordenadora
do festival, falaram para centenas de professores da rede pública
sobre os festivais de folclore e a experiência de Olímpia.
As apresentações abriram a terça-feira, dia 11, com a presença do
Congo de Oeiras do Piauí, e do Pastoril Dona Joaquina, de São Gonçalo
do Amarante, no Rio Grande do Norte. Os dois grupos animaram o segundo
dia do seminário, organizado pela Comissão Paulista de Folclore,
com música, dança e a participação do público.
A experiência do pastoril de São Gonçalo do Amarante foi contada
pelo presidente da Comissão Norte-Riograndense de Folclore e membro
da Comissão Nacional de Folclore, Severino Vicente, que falou sobre
as possibilidades do folclore inovar, o caráter de resistência cultural
e as celebrações do pastoril e as ações bem sucedidas de recuperação
do folguedo em sua região de origem. “Nada do folclore morre. Folclore
é uma ciência. Convive no mundo massificado e está em toda parte,
em nosso sentir e em tudo que o povo se manifesta. A cultura popular
é única e legítima para que tudo o mais aconteça”, afirmou Severino.
O pastoril de origem centenária no nordeste, a exemplo das danças
de São Gonçalo, ou lapinha, como também é conhecida, apresenta uma
versão religiosa e seus significados na celebração do nascimento
do menino Jesus. Durante a apresentação no recinto do folclore o
grupo de brincantes mostrou a versão mais profana. Foi com essa
dança festiva que o grupo animou o público presente no seminário.
O palhaço conduz o canto para os dois cordões das brincantes que
cantam e dançam acompanhadas por uma orquestra. Em suas origens
apenas o bandeiro, violão e depois sanfona, davam o ritmo às celebrações
dos dois cordões: o encarnado na cor vermelha, representando Jesus
Cristo e o cordão, azul, Nossa Senhora Aparecida. Severino é pesquisador
do pastoril, cujas referências são estudos do folclorista Câmara
Cascudo, e escritor Mário de Andrade, que permaneceu 45 dias, em
1928, no Rio Grande do Norte, registrando os folguedos relatados
nas obras “Danças Dramáticas do Brasil” e “O Turista Aprendiz”.
Antes da apresentação do pastoril, o presidente da Associação Congo
de Oeiras, Flávio Antonio Mendes da Silva, relatou sobre a vivência
de seu grupo na manutenção de uma tradição que remonta o século
XVII no interior do Piauí, no tempo da colonização portuguesa. O
grupo viajou mais de três mil quilômetros, durante três dias, para
participar do Festival Nacional de Folclore. Há cinco anos o grupo
participa do festival e por isso tornou-se conhecido em muitas regiões
do Brasil.
O folguedo representa uma dança de origem africana do Congo, de
louvação a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito, santos de
devoção negros, acompanhados de ritmos afro-brasileiros. O grupo
é composto exclusivamente por homens que usam maquiagem, batom e
saias rodadas, um artifício criado pela necessidade da prática religiosa,
conforme relatou Flavio aos professores e pesquisadores. Nos séculos
passados, apenas as mulheres podiam louvar seus santos de devoção,
razão pela qual os homens se camuflavam. É uma tradição transmitida
pela oralidade familiar, cuja origem tem referências nos escravos
do primeiro governador da Província do Piauí. O Congo e a cidade
de Oeiras, a primeira capital do estado, são tombados pelo patrimônio
cultural.
A professora Neide, da Comissão Paulista de Folclore, após as apresentações
explica os conceitos, história e definições das celebrações apresentadas.
Lembrou das origens dos reinados dos congos e suas diferenças culturais
e sociais. Têm origem em a duas nações distintas. A dos bantos ou
bantus, que não tinham uma estrutura social organizada e por isso
eram manipulados e transformados em reis e organizadores do grupo,
pelos colonizadores, e induzidos a convencer outros negros a se
deixarem escravizar. Diferente dos sudaneses, o outro grupo, que
segundo a professora, pertenciam a uma classe social organizada
e estruturada socialmente e com uma história de cultos aos deuses
interligados aos elementos das forças da natureza, o ar, o fogo,
a água e a terra, presentes nos rituais no candomblé e outros cultos.
Sobre o pastoril a professora Neide lembrou ainda dos relatos do
escritor Gil Vicente, sobre os cantos e loas da lapinha, cantada
na frente do maior presépio do país no município de Granja (CE).
E cantou para exemplificar a festividade dos pastoris profanos e
a adoção das flores, entre outros adornos no vestuário das meninas
brincantes: “Meu São José daí-me licença para o meu pastoril passar”...
Núcleo
de Ação Cultural Vale do Rio Grande
Comissão Nacional de Folclore
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